10/01/2006
Caminhar pela leitura, já me proporcionou viagens inenarráveis e esta é a razão de seguir meu instinto farejador de letras belas, prova está minha presença em cantos de pouco tráfego…
A de se ter óticas especiais sobre as marcas do tempo, e o que elas proporcionam à quem as tem como um bônus e os danos que causam, à quem as recebe como um castigo.
Quando nossa vida começa, temos uma pequenina mala de mão, uma ‘frasqueira’ como dizemos no sul. Nela nem baton é necessário, pois temos o viço da juventude, mas a temos por isso, vazia demais… Os anos passam velozes por nós e a ânsia do não saber do que precisaremos a seguir, nos faz recolher inúmeras coisas neste caminho, coisas que ocupam espaços e conseqüentemente, pesam… Num certo momento, só nos resta sentar e esperar que alguém ajude a esvaziar o peso, mas cada um passa por nós também veloz, carregando sua própria bagagem e seus pesos… Então, a mágica do tempo aprendido nos dá o norte maior e nos ensina a triar, a aliviar o que pesa e a guardar em reserva especial o que nem espaço ocupa, mas nos preenche. Neste ponto estamos maduras, inteiras, genuínas e considero que aqui iniciamos nosso viver mais celebrativo e com nossa embalagem mais bonita: a verdadeira.
Ao maturar, me fiz grata pelo arrojo de embarrigar velas em meu navegar, e a versão 5.0 me alegra a ponto de fazer do tempo de agora, um grande cúmplice. A vida nos abraça a cada dia com um abraço novo, é a parte dela. À nós, cabe aceitá-lo e abrigar-se confortavelmente até o fim da viagem.
Mulher Madura/RS (Jane Abel)