Ladeira abaixo
(Publicado no Jornal Zero Hora de 06/10/2004)
Ladeira abaixo
Caro leitor, em resposta à tantas e tamanhas irregularidades que a mídia nos dá à conhecer, vimos da terra deste Rio Grande, concordar com as críticas parcas e ratificar posição, quanto à lisura das campanhas eleitorais e a atuação de alguns partidos junto aos seus eleitores, seu maior patrimônio.
Nem só em uma cidade, mas acreditamos que na maioria das cidades brasileiras, a legislação eleitoral é pisoteada por partidos sem ética, que se dizem populares na medida que lhes interessa, onde eleitores são coagidos, comprados e/ou constrangidos, transportados irregularmente aos locais de votação em troca de mínimos favores prometidos, induzidos ao voto, e, a propalação de que tudo ocorreu dentro de uma normalidade, é hipócrita e viceja, dando ao cidadão menos observador, a sensação de que democraticamente tudo foi feito. Medidas de contenção destas imoralidades são inexistentes.
A busca incessante (e indecente) pelo poder e suas benesses decorrentes, impele os partidos, e conseqüentemente seus afiliados, a desrespeitarem as regras mais básicas de livre arbítrio e de respeito à opinião alheia.
Acrescentamos, a indignação de uma cidadã que discorda também do curso eleitoral, no que tange a realização (ou não) de 2º turno, em cidades com densidade abaixo dos 200 mil habitantes.
Acaso a baixa densidade populacional de uma localidade qualquer, tira de seus eleitores o direito à decisão majoritária?
Por serem menos perdem o direito de terem sua vontade considerada?
Em que pese à decisão de maioria, não sendo ela maioria absoluta e sim parcial, não seria justo, fossem quais fossem os custos disso, que esta mesma população tivesse direito ao voto novamente em 2º pleito? E só então desta forma, atingindo um dos candidatos a maioria de 50% mais 01 dar-se à vitória?
Nossa legislação como um todo, tão cheia de letras incompreensíveis para a esmagadora maioria da população, faz com que coisas como as citadas acima, aconteçam à luz do Direito, estejam chanceladas por nossos respeitáveis juristas, mesmo que tenham sob o ponto de vista do cidadão comum, muito pouco peso enquanto decisão de seus interesses e suas necessidades diárias.
Urge, que surja neste solo abençoado um ídolo, um homem público, alguém que se atreva a fazer uma revisão completa em nossos códigos legais, eleitorais, penais. Uma reforma do Judiciário, digna deste povo valente e crédulo, sem medo de ferir suscetibilidades e interesses maiores, visando tão somente o bem geral desta Nação ladeira abaixo.
Temos 500 anos de vida, mas as vezes, nos parece que começamos ontem e que engatinhando, tateando às escuras pelos desconhecimentos de nossos habitantes pacíficos mas desinformados, levaremos pelo menos mais 500 para aprender a viver com justiça, igualdade e sensatez.
Jane Abel