Posts em setembro dUTC 2007

Um Natal diferente

Quer fazer algo diferente no Natal?
Vá a uma agência dos Correios e pegue uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e seja o Papai ou Mamãe Noel delas.
Há pedidos inacreditáveis. Criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó ou material escolar.
É só pegar a carta e entregar o presente em uma agência dos Correios até dia 20 de Dezembro.
O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.

Na vida, a gente passa por 3 fases:
- a primeira quando acreditamos no Papai Noel;
- a segunda quando não acreditamos; e
- a terceira quando somos Papai Noel!

Informe-se: Correios

Façamos a nossa parte!

Façamos a nossa parte de manter o planeta vivo!

“Duplicata é essa coisa que sempre vence. Nunca empata.”

(Max Nunes)

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Falta de sorte 02

Diogo Portugal (I.m.p.e.r.d.í.v.e.l.)

Assim se movimenta o gaúcho

Sob chuva forte. Debaixo de granizo. Sob um sol escaldante. Ao relento no vento Minuano. Com a geada cobrindo os campos. Com a neve pintando a paisagem de branco. Assim se movimenta o gaúcho. Nos campos floridos da primavera. Sob o sol forte em dias de calor escaldante. Na terra encharcada dos verões chuvosos. Na terra rachada dos verões secos. Assim se movimenta o gaúcho. Sob dias belíssimos ou de adversidades. Assim se movimenta o gaúcho. Para frente, avançando, numa terra progressista e defensora da liberdade. Não basta para ser livre, ser forte, aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.
Assim se movimenta o gaúcho em 20 de setembro de 2007. Sob a marca principal do seu clima. Sob os extremos da intempérie. Mediante a característica do seu clima de mudanças rápidas. Um dia que começou com céu estrelado em grande parte do Rio Grande do Sul, amanheceu com chuva, trovoadas e granizo na metade norte e sol na metade sul gaúcha. E terá mais chuva e temporais. Novas áreas de instabilidade de forte intensidade se formam no norte da Argentina e no oeste gaúcho e devem migrar para leste nas próximas horas. O granizo que já caiu em diversas cidades do centro e do norte do estado na manhã de hoje tende a se repetir em mais localidades no decorrer do dia. Chuva ainda mais intensa é esperada para a segunda metade do dia em muitas regiões, especialmente do centro para o norte gaúcho, com trovoadas e risco de enxurradas localizadas. E será está a característica do feriadão. Volumes muito elevados de chuva são esperados até o começo da próxima semana a ponto de preocupar o risco de alagamentos, cheias e quedas de barreira em áreas de relevo. Aos olhos e ouvidos externos pode ecoar como ufanismo, mas o fato é que o clima de extremos do pago forjou o gaúcho. Em terra de tantos povos e muitas façanhas, sirvam as nossas façanhas de modelo à toda terra.

Autor: Luiz Fernando Nachtigall

Publicado em 20/09/2007

Meteorologia

Mourão Filho

O General Olympio Mourão Filho ao que tudo indica, embora tosco, era um profeta. Vejam o que ele escreveu no início dos anos 70:

“Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de serventuários aduladores oportunistas estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites e embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso”.

MOURÃO FILHO. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16 (4º edição)

“A fé remove montanhas. Os ecologistas são contra”

(NadaNormais)

Frei Betto

Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num único dia do ano – 8 de março , enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride, dor recente de uma cicatriz antiga. Porque se vive numa sociedade machista: matrimônio – o cuidado do lar; patrimônio – o domínio dos bens.

O marido possui a casa, o carro e a mulher, que incorpora ao nome o da família dele. A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro, envia à oficina ao menor defeito. À mulher, ser polivalente, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.

Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com o mesmo respeito. Ele esquece que marido e mulher não são parentes, são amantes. Ou deveriam ser.
Na Igreja Católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e, mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio. Toda a hierarquia da mais antiga instituição do mundo é de homens. O que seria dela e deles se não fossem as mulheres?
As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.

Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do imbecil que diz bobagens quando a garota passa; do pai que assedia a filha jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.

Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: cala a boca, Magda! Ela é a burra, a idiota que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira do Gugu, expõe-se na casa dos brothers, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.

Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é só alcançará plenitude em interação com o seu contrário. Como ocorre em todo verdadeiro amor.

Frei Betto é escritor, autor de “Gosto de Uva” (Garamond), entre outros livros.

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