21/04/2004

(Distribuído por Jane/RS em 21/04/2004 para Jornal Zero Hora e jornalista Cândido Norberto)

Saudações.

Admiradora inconteste de seu talento, muito me admira sua eloquente inocência na defesa permanente e sectária do PT ao longo dos (negros) tempos…

A sanha devastadora deste partido, deste regime, tem os dias contados… e faz parte do passado da história mundial, porém, ainda cala fundo na nossa própria.

Quiçá, possamos nos recuperar antes do caos total.

A “implantação” de um símbolo de identificação política nos jardins do Palácio da Alvorada, fere os princípios democráticos do país, que este partido dito do poder deveria respeitar. Os jardins, são Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade e como tal, não podem ter dogmas partidários perpetuados em seu interior.

A humanidade não é petista. Felizmente.
Jane Abel/RS

Jornal Zero Hora
Artigo

O terçol e a estrela vermelha
CÂNDIDO NORBERTO/ Jornalista

Segundo informa o dicionário Houaiss, hordéolo é como se chama aquele abscesso do tamanho de um grão de cevada que cresce na borda da pálpebra. O dito hordéolo é mais conhecido, como diz também o Novo Aurélio, pelo nome de terçol. Não obstante ser pequeno, é muito doloroso – como bem sabe quem já o padeceu.

Ao dizer isto, estou lembrando que o nosso presidente Lula, na semana passada, teve de interromper suas atividades para extirpar um terçol que o maltratava na pálpebra direita, submetendo-se a uma microcirurgia. A qual foi realizada rápida e competentemente no Hospital Militar de Brasília.

O fato, mesmo que sem maior importância, lembrou-me que, em distante dia, o grande senador gaúcho Gaspar Silveira Martins disse enfaticamente que “o poder é o poder”, esquecendo, porém, de assinalar que tal regra tem suas exceções. Eis que, se é verdade que o poder tudo pode, nem por isso alguém que o detenha consegue excluir-se da frágil condição humana, pela qual todos estão expostos a uma gama infinita de sofrimentos grandes e pequenos.

Aí está, por exemplo, o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – fora de dúvida um grande nome de um homem notável – com o seu hordéolo. Ele demonstrou, mesmo sem o desejar, que até aquele que é, presumivelmente a autoridade mais poderosa de uma grande nação, está sujeito a contratempos e padecimentos físicos impostos por um simples abscesso do tamanho de um grão de areia.

Por falar no presidente Lula, aí o temos navegando num mar não apenas metafórico, mas sobretudo de reais, delicados e complexos problemas socioeconômicos e políticos. São, entre outros, greves e mais greves em importantes serviços públicos comandadas por lideranças que até não faz muito o aplaudiam, nele depositando suas melhores ilusões de que seus problemas salariais viessem a ser resolvidos como num passe de mágica.

Como se não bastassem tantas agruras, a elas somam-se as inquietantes invasões de propriedades rurais promovidas pelo MST – um outro aliado, que, como seu líder maior anunciou previamente, está dando a abril uma forte coloração vermelha. Vermelha como a estrela, símbolo do PT que foi plantada nos jardins do Palácio da Alvorada não se sabe exatamente para quê. Ou melhor, sabe-se, sim, mas é melhor não dar maior importância a essa fútil leviandade politicamente infantil. Afinal convenhamos, os críticos do governo, entre os quais se inserem, inclusive e  destacadamente, vastos setores do próprio petismo, já dispõem de assuntos bem mais sérios para tornar ainda mais vermelho este calorífero e seco outono 2004.

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