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Ana Carolina – Vai dar pra mudar o final?

Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final!

Ana Carolina porta-voz

Ministros…

(Distribuído por Jane/RS em 21/11/2004)

Numa reunião com o Presidente da Suíça, Lula apresenta os seus Ministros:

-Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Educação, este é o Ministro da Cultura, este é o Ministro da Justiça… E assim foi.

Chegou a vez do Presidente da Suíça:

-Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Fazenda, este é o Ministro da Educação, este é o Ministro da Marinha…

Nessa altura Lula começa a rir: Desculpe, Senhor Presidente, mas para que o Senhor tem um Ministro da Marinha, se o seu país não tem mar?

O Presidente da Suíça, educadíssimo e elegante, então responde:

- Quando você apresentou os Ministros da Cultura, Educação e Saúde, eu não ri…

Mourão Filho

O General Olympio Mourão Filho ao que tudo indica, embora tosco, era um profeta. Vejam o que ele escreveu no início dos anos 70:

“Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de serventuários aduladores oportunistas estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites e embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso”.

MOURÃO FILHO. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16 (4º edição)

Frei Betto

Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num único dia do ano – 8 de março , enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride, dor recente de uma cicatriz antiga. Porque se vive numa sociedade machista: matrimônio – o cuidado do lar; patrimônio – o domínio dos bens.

O marido possui a casa, o carro e a mulher, que incorpora ao nome o da família dele. A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro, envia à oficina ao menor defeito. À mulher, ser polivalente, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.

Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com o mesmo respeito. Ele esquece que marido e mulher não são parentes, são amantes. Ou deveriam ser.
Na Igreja Católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e, mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio. Toda a hierarquia da mais antiga instituição do mundo é de homens. O que seria dela e deles se não fossem as mulheres?
As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.

Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do imbecil que diz bobagens quando a garota passa; do pai que assedia a filha jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.

Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: cala a boca, Magda! Ela é a burra, a idiota que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira do Gugu, expõe-se na casa dos brothers, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.

Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é só alcançará plenitude em interação com o seu contrário. Como ocorre em todo verdadeiro amor.

Frei Betto é escritor, autor de “Gosto de Uva” (Garamond), entre outros livros.

“Um dos primeiros Presidentes do Brasil foi Prudente de Morais, daí pra frente, tivemos uma série de Presidentes… Uns Imprudentes, outros Imorais…”

Carlos Vereza 15/10/2006 (Adivinhem quem é o Ali Babá?)

(Distribuído por Jane/RS em 16/10/2006)

O grande Carlos Vereza, respeitadissimo, falando… Quem sabe é um doido?… Diz coisas absolutamente corretas! Ele diz “Eles pareciam deter o projeto único da virtude, da ética e etc etc etc…” Putz… era tudo balela…

Sensacional a entrevista!

09/11/2004

(Distribuído por Jane/RS em 09/11/2004)

Amigos.

Prá que não pairem dúvidas de minhas palavras, para que as pessoas que se sentiram atingidas pela minha alegria no resultado das eleições municipais daqui (poucas felizmente), percebam que, da mesma forma que recebo textos e mais textos de ideologias das quais não compartilho e para nenhuma delas dirijo um xingamento, apenas em mais uma ocasião, eu me manifestei. Desta vez, me dizendo feliz. É meu direito.

Primeiro, minha defesa de que não pretendi ser irônica, debochada ou jocosa.
Segundo, não faltei com respeito à nenhuma ideologia.
Terceiro, não me referi ao nosso país e o governo do mesmo, apenas me referi ao meu universo, à minha cidade e ao que nós como moradores daqui, vivenciamos em 16 anos de hegemonia petista.
Quarto, não desmereci vitórias nem conquistas, apenas usei meu direito, democrático, de querer também ver meu time vencer.
Quinto, usei de novo o direito de manifestação, a liberdade de expressão, para me comunicar com amigos, com pessoas que privam do meu convívio virtual ou não, e das quais nem imagino sejam as marcas nas bandeiras partidárias, já que nossos assuntos passam ao largo disso.
Sexto e último, moradores de muito longe de Porto Alegre… criticando uma nativa local e me conhecem pouco para me acusar de não cobrar posturas e promessas… Não sabem o quanto sou atuante… E exigente.

Sabem, em 49 anos de estrada, acumulei rugas e cicatrizes internas, mas como a maturidade não poderia nos trazer só coisas não muito boas, nos traz também cada vez mais, a certeza de que estamos num mundo de iguais, por mais que assim não pareça e, desta forma, tenho profundo respeito por quem pensa diferente de mim. Ideologias são temas de profunda reflexão e, como formei as minhas através dela, respeito quem as tenha alicerçado também desta mesma forma.

O tema me agrada sobremaneira e não me sinto sectária ao ponto de não conseguir ouvir opiniões alheias, sem perder a serenidade e o senso de justiça.

Registrados os desconfortos, espero que tenham registrado também em minha mensagem, o pedido de escusas aos que não partilhavam comigo da alegria, mas acredito piamente que a oxigenação do poder em minha cidade, vai nos ser de muita valia, mesmo porque, o povo com a margem discreta de votos aqui apresentada pelo vitorioso, deu seu recado: “Estamos de olho e voltaremos em 04 anos”.

Quanto à minha palavra ‘de ordem’ de Fora PT, saibam que vivi intensamente a ditadura, sofri com ela e abomino desde sempre a privação de liberdade de um povo. Tenho apenas em minha vida profissional e vivência de dia/dia, muito do que reclamar da postura sectária e assistencialista que o PT adotou, a cada ano mais em minha cidade ao longo dos 16 anos de poder. Não vai aqui uma crítica ao todo que não vivencio, mas leiam-me em escala municipal. Teria laudas de reclamações para quem desejasse me ler…

Entendo como política, a ciência que visa a união de forças de intelecto, para o bem comum.

Não tenho preconceito quanto ao Partido do Trabalhadores, mas tenho o direito de não concordar com posturas e ideologias que seccionam o espaço social em ‘quem dá e quem recebe’. Por ser uma amadora apaixonada por política, acompanho o legítimo movimento social do Partido desde seu início, com atenção, e buscando sempre desarmar o pensamento pessoal, para atingir no mínimo a pretensão de entender suas atitudes, para então concordar (ou não) com elas. Nenhum entendimento é geral e irrestrito, em nada neste universo. Há algumas coisas no Partido dos Trabalhadores que admiro como ser humano, mas o somatório de seus posicionamentos me desagrada como cidadã. Prevalece isso.

É verdade que não há como negar as conquistas deste Partido enquanto origem. Esta é a síntese da criação do Partido, mas o desconforto dos que como eu tecem restrições, talvez se deva ao fato de que estas metas consagradas na inauguração do mesmo, tenham ao longo dos seus 20 e poucos anos, sofrido modificações vicerais de foco, deixando lacunas sociais visíveis que pareciam ser, num primeiro momento, o olho do furacão visado desta nova sigla. Não discuto a criação do Partido. Discuto sua atuação aliada ao seu discurso. São coisas distintas…

Agradeço a grandiosidade nos cumprimentos recebidos, e saibam com convicção que o povo de Porto Alegre foi beneficiado nesses 16 anos da hegemonia petista entre nós com algumas conquistas, mas, a alternância do poder é comprovadamente positiva, para que se travem vícios de conivência e se impeçam pecados de conveniência.

Um abraço amistoso,
Jane/RS

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Aos amigos deste lado, parabéns.
Aos do outro lado, desculpem-me mas estou muiiiiiito feliz !

O bom senso retorna…

Acabouuuuuuu em Caxias do Sul,
Acabouuuuuuu em Pelotas,
Acabouuuuuuu em Porto Alegre,
Acabouuuuuuu em São Paulo !

E se Deus quiser, vai acabar no Brasil também em 2006 !
Fora PT !

Arnaldo Jabor (A Praga)

Pós-Renan Calheiros (livre da cassação) Set/2007

Affe… Se pegasse uma só praga dessas, nos sentiríamos vingados… A acidez habitual de Arnaldo Jabor, quando indignada e nos fazendo eco, à nós brasileiros idôneos e inconformados, é potencializada até se tornar uma verdadeira lâmina afiada.

Ouçam… a-praga.wav

Ladeira abaixo

(Publicado no Jornal Zero Hora de 06/10/2004)

Ladeira abaixo

Caro leitor, em resposta à tantas e tamanhas irregularidades que a mídia nos dá à conhecer, vimos da terra deste Rio Grande, concordar com as críticas parcas e ratificar posição, quanto à lisura das campanhas eleitorais e a atuação de alguns partidos junto aos seus eleitores, seu maior patrimônio.
Nem só em uma cidade, mas acreditamos que na maioria das cidades brasileiras, a legislação eleitoral é pisoteada por partidos sem ética, que se dizem populares na medida que lhes interessa, onde eleitores são coagidos, comprados e/ou constrangidos, transportados irregularmente aos locais de votação em troca de mínimos favores prometidos, induzidos ao voto, e, a propalação de que tudo ocorreu dentro de uma normalidade, é hipócrita e viceja, dando ao cidadão menos observador, a sensação de que democraticamente tudo foi feito. Medidas de contenção destas imoralidades são inexistentes.
A busca incessante (e indecente) pelo poder e suas benesses decorrentes, impele os partidos, e conseqüentemente seus afiliados, a desrespeitarem as regras mais básicas de livre arbítrio e de respeito à opinião alheia.
Acrescentamos, a indignação de uma cidadã que discorda também do curso eleitoral, no que tange a realização (ou não) de 2º turno, em cidades com densidade abaixo dos 200 mil habitantes.
Acaso a baixa densidade populacional de uma localidade qualquer, tira de seus eleitores o direito à decisão majoritária?
Por serem menos perdem o direito de terem sua vontade considerada?
Em que pese à decisão de maioria, não sendo ela maioria absoluta e sim parcial, não seria justo, fossem quais fossem os custos disso, que esta mesma população tivesse direito ao voto novamente em 2º pleito? E só então desta forma, atingindo um dos candidatos a maioria de 50% mais 01 dar-se à vitória?
Nossa legislação como um todo, tão cheia de letras incompreensíveis para a esmagadora maioria da população, faz com que coisas como as citadas acima, aconteçam à luz do Direito, estejam chanceladas por nossos respeitáveis juristas, mesmo que tenham sob o ponto de vista do cidadão comum, muito pouco peso enquanto decisão de seus interesses e suas necessidades diárias.
Urge, que surja neste solo abençoado um ídolo, um homem público, alguém que se atreva a fazer uma revisão completa em nossos códigos legais, eleitorais, penais. Uma reforma do Judiciário, digna deste povo valente e crédulo, sem medo de ferir suscetibilidades e interesses maiores, visando tão somente o bem geral desta Nação ladeira abaixo.
Temos 500 anos de vida, mas as vezes, nos parece que começamos ontem e que engatinhando, tateando às escuras pelos desconhecimentos de nossos habitantes pacíficos mas desinformados, levaremos pelo menos mais 500 para aprender a viver com justiça, igualdade e sensatez.

Jane Abel

O GRITO!

Se Luciano Pires chegasse a Porto Alegre nesta Semana Farroupilha (14/09 a 20/09), com os cidadãos pilchados dirigindo ônibus, prendas atendendo caixas de bancos, supermercados com vários gaúchos caracterizados cuidando da clientela, um Acampamento Farroupilha no Parque da Harmonia que traz o pampa para a cidade em todos os seus detalhes, com a cidade inteira pilchada e enaltecendo a cultura com um orgulho incomum, ficaria encantado, como nos encantamos nós que vivemos aqui.
Se este GRITO têm de vir, se este GRITO é o que vai nos tirar desta sangria vergonhosa, que venha, do Sul ou do Norte, mas façamos algo, juntos! Somos todos o Brasil!
Jane/RS

O GRITO (Por Luciano Pires)

Num texto anterior introduzi o conceito de “Ressentimentos Passivos”. Para relembrar, lá vai um trecho:

“Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e falam “que vergonha”. Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam “que absurdo”. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram “que medo”. E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição “neste paíz”. Do ressentimento passivo à participação ativa.”.

Pois recentemente estive em Recife e em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Em Recife, naquele centro antigo, história por todos os lados. A cultura pernambucana explícita nos out-doors, nos eventos, vestimentas, lojas de artesanato, livrarias. Mobilização cultural por todos os lados. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém.

No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!

“Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade”

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem. Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é “comunidade”. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é… Foi então que me deu um estalo. Sabe onde é que os “ressentimentos passivos” se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de “basta” contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem “liga”. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.

Penso que o grito – quando vier – só poderá partir das comunidades que ainda têm essa “liga”. A mesma que eu vi em Recife e em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Ou talvez os Pernambucanos. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.

Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.


Luciano Pires é um profissional de comunicação, jornalista, escritor, palestrante e cartunista.
Este texto está liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e não haja alteração em seu conteúdo.

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